É um assunto que desperta bastante interesse e, ao mesmo tempo, gera polêmica, pois até hoje não existe uma legislação específica que regulamente a profissão de síndico profissional. O que ocorre, na prática, é que muitas pessoas acabam desenvolvendo habilidades de gestão condominial com base em experiências anteriores na área administrativa ou empresarial e passam a se candidatar para administrar condomínios, às vezes, mais de um, assumindo assim o papel de “síndico profissional”.
A principal diferença entre o síndico morador e o profissional é que o primeiro reside no condomínio, enquanto o segundo é uma pessoa externa, contratada exclusivamente para essa função. A possibilidade dessa atuação está prevista no artigo 1.347 do Código Civil, que dispõe:
Art. 1.347 – A assembleia escolherá um síndico, que poderá não ser condômino, para administrar o condomínio por prazo não superior a dois anos, o qual poderá renovar-se.
Ou seja, a partir do momento em que a legislação permite que o síndico seja alguém de fora do condomínio, abre-se espaço para a figura do síndico profissional.
As principais dúvidas
É muito comum surgirem questionamentos como:
– No meu condomínio ninguém quer se candidatar. Podemos contratar um síndico profissional?
– Quais são os requisitos para escolher um bom síndico profissional?
– Como saber se ele vai administrar bem os recursos do condomínio?
A verdade é que não há garantias absolutas sobre a qualidade da gestão, seja de um síndico profissional ou de um síndico morador. O que se pode (e deve) fazer é estabelecer mecanismos de controle e acompanhamento, como a exigência de prestações de contas mensais e a atuação efetiva do conselho fiscal e consultivo.
Um conselho atuante é essencial. Isso significa ter pessoas dispostas a dedicar um pouco do seu tempo, pelo menos uma vez ao mês, para analisar as contas do condomínio e verificar se tudo está sendo feito de forma correta. Essa prática evita surpresas desagradáveis no futuro, como irregularidades financeiras ou contratuais.
Para auxiliar condomínios que desejam contratar um síndico profissional, reuni algumasdicas práticas que ajudam a reduzir riscos e a fazer uma escolha mais segura.
1. Verifique o tempo de experiência: pergunte há quanto tempo o candidato atua na área. A experiência é um fator decisivo. Um profissional que administra condomínios há vários anos, mesmo sem um curso formal de sindicância, pode estar mais preparado do que alguém recém-formado, mas sem vivência prática. A gestão condominial exige tempo, aprendizado e maturidade para lidar com situações diversas, muitas vezes não previstas em lei;
2. Faça perguntas técnicas: questione o candidato sobre manutenção preventiva, responsabilidades civis e normas de segurança predial. O síndico é o responsável legal pela conservação das áreas comuns e precisa demonstrar conhecimento sobre procedimentos técnicos, omissões e riscos que envolvem a manutenção do condomínio;
3. Visite condomínios administrados por ele: peça referências e entre em contato com outros condomínios onde o candidato já atuou. Converse com conselheiros e moradores: ele é acessível? Cumpre prazos? Zela pela manutenção? Essas informações ajudam a entender o perfil do profissional e sua forma de gestão;
4. Consulte a administradora ou contabilidade com que ele trabalha: o síndico profissional normalmente conta com o apoio de uma administradora ou escritório contábil. Ligue para esses parceiros e pergunte: ele entrega documentos em dia? Cumpre prazos? É organizado? Esse retorno fornece um bom retrato da sua rotina de trabalho;
5. Teste a disponibilidade: em um condomínio, os problemas não têm hora para acontecer. Ligue para o candidato em um domingo chuvoso ou feriado e veja como ele reage. Ele atende? Retorna a ligação? Essa simples atitude mostra se o profissional realmente está preparado para lidar com emergências fora do horário comercial;
6. Analise a formação e atualização profissional: embora a lei não exija formação específica, é recomendável que o síndico tenha formação ou cursos em áreas como administração, contabilidade, direito ou engenharia. Mais importante do que o diploma é a constante atualização: participação em cursos, congressos, palestras e entidades do setor condominial. Existem inúmeros eventos e associações dedicadas à capacitação de síndicos;
7. Desconfie de honorários muito baixos: um erro comum é avaliar o síndico apenas pelo preço. Muitas vezes, taxas muito reduzidas refletem uma gestão deficiente, sem investimentos em manutenção ou segurança. A economia inicial pode resultar em prejuízos significativos no futuro. Profissionais sérios cobram honorários compatíveis com o tamanho e a complexidade do condomínio;
8. Visite a sede ou escritório do profissional: por fim, verifique se o candidato possui uma estrutura física para exercer suas atividades. Uma empresa organizada, com endereço comercial e equipe de apoio, transmite seriedade e comprometimento. Analise também sua presença digital, redes sociais, publicações, artigos ou participações em eventos da área, o que demonstra engajamento e reconhecimento profissional.
Mesmo seguindo todas essas recomendações, não há garantias absolutas de sucesso. A administração condominial depende de transparência, acompanhamento e engajamento dos condôminos.
Por isso, é fundamental observar a idoneidade do candidato, verificar como ele saiu de condomínios anteriores (se foi ou não destituído e por quais motivos) e manter um controle contínuo das contas e contratos. Esses cuidados ajudam a reduzir riscos e a garantir uma gestão eficiente e segura.
A contratação de um síndico profissional deve ser tratada com seriedade, pois envolve a administração do patrimônio coletivo de dezenas, às vezes centenas, de famílias.
Com atenção, diálogo, critério e responsabilidade, é possível encontrar profissionais competentes que contribuam para a boa convivência e valorização do condomínio.
Vivam a vida, e até a próxima.
